Todas as cartas de amor

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Fernando Pessoa

Edição especial caneta Fernando Pessoa da Caran D'ache

Edição especial caneta Fernando Pessoa da Caran D’ache

Tenho saudades das carta de amor, das cartas no geral e de escrever assim, com uma caneta de aparo. Sinto falta de escolher a grossura do papel de carta. A vida tem muito menos cor porque já não compro envelopes. 

Os meus dedos já não colaboram porque decoraram a localização das teclas do computador e dizem que é mais rápido assim. Não quero mais rápido, quero o que era no passado. Uma vida cheia de cartas, de poesia.

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