O que aprendi com o meu sistema imunitário

Depois de asma dos 15 aos 19 anos, de uma colite ulcerosa dos 19 até aos dias de hoje, de uma tiroidite desde há um mês e depois de, nos últimos dias, ser contagiada com o síndrome mãos-pés-boca do meu filho (doença rara em adultos e que me fez penar nos últimos dias), posso dizer que aprendi o seguinte sobre o meu sistema imunitário:

– Passam os anos e não aprendi nada: não me considero a minha principal prioridade, não cuido de mim como deveria, não tomo a atenção devida aos sinais que a vida e o meu corpo me vão dando.

– Não me respeito como deveria: Não aprendi a dizer não em todos estes anos, porque acho que o NÃO é um sinal de fraqueza ou de pouco brio naquilo que se faz. Pois que toda a gente que conheço que tirou um mestrado em dizer NÃO tem uma saúde 5 estrelas, por isso, certamente me enganei todos estes anos…ou tenho de deixar o brio brilhar para outro lado.

– Tenho as prioridades todas escavacadas: apesar de ser uma pessoa minimamente inteligente e saber o que deveriam ser as minhas prioridades, porque falho tremendamente na alínea anterior, dou cabo daquilo que deveria ser o meu foco. “Parva, parva, parva!”

– Alimento-me muito pior do que deveria. Tenho o último livro da Mafalda Pinto Leite na cozinha (fechado), comprei uma embalagem de tofu que vive na despensa há mais de 5 meses, mas a preguiça de fazer algo novo, de levantar o rabo do sofá ao fim de semana, a pouca vontade de criar mais uma nova rotina (e Deus sabe o quanto odeio rotinas), e depois o desejo de comer gorduras polinsaturadas e “mais sei lá o quê que faz mal” depois de uma reunião difícil ou depois de um dia de stress (que são muitos). Não me salvam os litros de água que bebo por dia e o chá de gengibre que entrou na minha vida há uns meses. Ajudam, mas não salvam de todo.

– O quanto me minto. “É só mais um bocadinho, faço mais um pouco e já está. Se fizer mais um pouco, um dia vou chegar ali.” Nada vai mudar, porque tu não estás a mudar, Maria Helena!

Mas depois olho para tudo o que sou, o que fiz e não posso deixar de dizer:

– O quanto amo a minha vida e o seu potencial: já fiz coisas muito catitas e senti um orgulho gigante. Tenho muitos projetos pessoais pela frente que me causam arrepios na espinha. Tenho amigos sempre presentes mesmo quando ausentes.

– Adoro o meu sistema imunitário ou a falta dele. Sim, todas as viroses e bactérias se apoderam de mim, sou uma colleccionista também de doenças crónicas, mas tudo isto são alertas que preciso para ficar furiosa comigo mesma e agir.

Por isso, aqui estou eu, cheia de borbulhas pelo corpo mas com fé de que um dia o meu sistema imunitário se vai livrar de todas as armadilhas que lhe criei ao longo dos anos. Quem estiver junto a mim nas próximas semanas vai ouvir muitos “Não, lamento”. E se não ouvirem, façam o favor de me sussurrar aos ouvidos: “Não te esqueças do teu sistema imunitário!”

Como diz a T-shirt: Be brave and never give up.

 

Anúncios

2 thoughts on “O que aprendi com o meu sistema imunitário

  1. Go Lena! Estou contigo e vamos dizer "No, lamento" a quem o merece ouvir. No a ns 🙂 s uma guerreira e ests girssima. Beijinhos aos trs ❤

    Gostar

Uma opinião por dia...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s