E sobre os enjoos…

Foram o alerta, bem cedo, para esta gravidez. E há três meses que persistem de forma violenta, arrasadora, incapacitante. Que me tem abalado psicologicamente, que me tem colocado o ego ao teste, que me tem posto à prova durante o meu horário de trabalho.

O pior disto tudo? Sentir-me sozinha. Sentir que mais ninguém à minha volta passou por isto. Sim, todas as mulheres com quem falei não tiveram enjoos, ou se tiveram, foi coisa que não durou uma tarde…Com esta informação, sentir que devo ser uma grande aberração ou uma grande fraca para tantos chiliques e fanicos.

O pior disto tudo? Procurar todas as soluções possíveis para resolver o problema: químicas, naturais, recomendadas e nem por isso, mas que em nada ajudaram a melhorar. Sinto que me movo diariamente com base nos nausefes que tomo por dia, e que nem o gengibre, nem o limão, nem a homeopatia, nem toda a literatura que tenho pesquisado (dia e noite) me tem ajudado em rigorosamente nada. Como bem me disse a minha obstetra esta semana: “mais valia estar a ler a Vogue do que a ler sobre curas para o enjoo”.

O pior disto tudo? O tentar ter uma vida normal, seja na logística familiar, seja no dia a dia profissional, seja quando quero tentar cuidar de mim e dos outros quando na verdade só me apetece enfiar na cama e permanecer lá até isto passar (com sorte antes das 40 semanas).

E já agora, o médico que inventou o termo “enjoo matinal”, deveria ter estado sossegado, porque no meu caso, começa antes de colocar os pés no chão de manhã e dura até ao momento em que desmaio de sono com os dois nausefes que tomo de noite. Pelo meio do dia, há toda uma animação de vómitos e muitas vezes passar à ação e vomitar mesmo.

Escrevo isto não para que tenham pena da grávida ou para que fiquem também enjoados face à exposição gráfica deste post, mas para que outras mulheres que passem por isto, não se considerem extraterrestres como muitas vezes me sinto durante o dia. E quem sabe, alguma delas faz uma pesquisa no google com os termos: “será que algum dia os enjoos vão passar?” ou “curas infalíveis para os enjoos matinais” (até parece que não o fiz, no desespero das 5 da manhã em que acordo já a sentir vontade de ir a correr para a casa de banho), e descobre este post. Não para lhe dizer que descobri a cura (infelizmente não descobri), mas que eu sou mais um caso desta anormalidade, e que não estão sozinhas.

O pior disto tudo? já achar que vou ter o bebé e vou continuar enjoada. Sei que não vai ser assim, mas já não sei como é um dia normal, sem esta sensação de que faço diariamente uma viagem de ida e volta ao Porto de carro, pela nacional, com o máximo de curvas possível.

O pior disto tudo? A minha médica diz que a partir da próxima semana isto vai passar, mas a minha intuição diz que este jogo ainda não chegou ao fim.

O melhor disto tudo? O ser humano que se está a desenvolver de forma mágica na minha barriga. Que a cada dia se torna mais forte, mais saudável e cada vez mais preparado para agarrar o mundo. Ao queixar-me dos enjoos não estou a ser ingrata pelo facto de estar grávida. Conheço muitas mulheres que adorariam estar grávidas e não conseguem. E estou de facto felicíssima por poder viver esta experiência mais uma vez. Mas também não sou fundamentalista e achar que tudo é bom na maternidade e que tenho de aceitar tudo como um lindo presente.

 

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