E de repente, 35.

Não, mentira, não passou assim tão rápido. Se tentar fazer um flashback, daqueles cinematográficos, da minha vida a passar diante dos meus olhos (mas sem luz ao fundo que ainda é cedo para isso!), já existem muitas memórias bem vincadas, quem nem rugas de expressão.

As memórias recentes do meu segundo filho a segurar a bata da minha médica com uma força brutal enquanto ela o trazia a esta vida que já conta 17 dias.

Dos quatro anos de histórias do meu primeiro filho que me surpreende todos os dias com o discurso, com as birras, com a sede de descobrir tudo e um par de botas.

Dos 500 empregos que tive até encontrar a minha paixão. Não foram 500, mas foram muitos e que me fizeram ver o que não queria fazer: desde trabalhar em diversas lojas de roupa, uma perfumaria, a fábrica do vidro temperado, um dia num hotel de 3 estrelas, 2 anos num departamento de urbanismo, a consultora americana que acreditou e que me mostrou o caminho, até chegar ao sítio onde posso fazer com que as pessoas se sintam mais felizes com as pequenas mudanças que podem fazer em casa. 

Memórias das festas do caloiro, dos jogos de matrecos e das aulas de rádio na faculdade. Um dia ainda vou fazer rádio. Ou um podcast, que é mais moderno! Será que alguém ouviria?

Memórias das longas férias de verão onde passados 15 dias já sonhava com o regresso às aulas e com os livros novos (porque queria estar com os meus amigos e aprender coisas novas) – um pouco o que sinto nas licenças de maternidade (que saudades de fazer um briefing!)

Recordações das minhas cassetes com músicas dos anos 90 que passavam na antena 3, a pancada dos Bon jovi (ninguém é perfeito), da Alanis Morissete e da Laura Pausini (já gostava de um bom drama). Das minhas unhas pintadas de azul, de jogar ao 31 nos intervalos, de ler a Ragazza.

De ter sido pedida em casamento ao meu pai ao 7 anos (grande Pedro, eras um corajoso!), de ter um anel de noivado do homem da minha vida à minha espera dentro do meu querido Smart quando regressava de uma viagem inesquecível à Ucrânia com a Unicef.

De saltar ao elástico. De comer cerelac todos os dias para tentar engordar (grandes tempos!), de sonhar ser bailarina, de vibrar com as vezes em que ia a Lisboa e podia andar de escadas rolantes…

E tantas outras coisas (só falei das boas).

E agora com 35, tanto mais que quero fazer! Quero contar muitas histórias, quero educar dois seres humanos e fazê-los ter memórias com a mãe que os deixem com um sorriso. Estão a ler isto rapazes? (Sim, uma das razões deste blog existir é que os meus filhos possam conhecer a mãe quando era mais nova e o que vou vivendo enquanto eles vão crescendo)

Quero dar aulas. Quero viajar muito (como é que ainda não fui a Nova Iorque!). Quero fazer mais cursos e conhecer muitas mais pessoas. Quero aprender a fazer um smokey eye decente e um cat eye dignos de pin up. Quero inspirar quem me rodeia e ser inspirada pelas pessoas fascinantes que se têm cruzado no meu caminho. 

Quero namorar muito! Quero redecorar a casa toda, a começar com o terraço. 

Quero crescer ao teu lado, JS (e não envelhecer).

E de repente, 35.

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