Mommy bullying

Já por muitas vezes por aqui partilhei alguns comentários, que na condição de mãe, fui recebendo de outras mães, ao longo dos últimos 4 anos e meio.

E chego à conclusão que os obstetras, pediatras e médicos em geral são grandes amigos e confidentes porque nos entendem, porque dizem que nós mães é que sabemos, e que estamos e fazer um bom trabalho. Mesmo quando nos esquecemos que era mês de vacina, ou que agora era boa altura para estimular isto ou aquilo e não estimulámos nada na verdade.

Tudo coisas que esperava que fossem coerentes junto da minha classe: a das mães. Mas não. Tirem o cavalinho da chuva.

As mães são aquele puto maior e mais forte que todos os outros, que se coloca estrategicamente naquele corredor estreito, para que, quando saímos a correr da sala em direção ao recreio, felizes da vida, levarmos um calduço bem forte, uma rasteira e ainda um par de nomes que nos colocam a auto-estima em níveis abaixo de zero. 

Tudo o que fizeres, é para o bully e para os seus amigos (há sempre um conjunto de seguidores que aplaudem o bully porque no fundo vivem com medo que ele se vire contra eles), um grande exemplo do tanso que és.

Com as mães, é igual. Se comeste açúcar na gravidez não mereces viver. Se só comeste coisas saudáveis, és uma radicalista e o teu filho não vai ter os nutrientes que necessita. 

Se amamentas em exclusivo, é bom que nem penses em dar uma chucha ao bebé porque não há cá mamilos artificiais nas regras de ser boa mãe. Se não amamentas em exclusivo, és muito fraquinha e puseste em causa todo o sistema imunitário do teu filho para o resto da vida. Se não amamentas de todo, é melhor ficares bem caladinha que isso é uma grande vergonha e nem sei como te consegues levantar de manhã.

Se a criança está abaixo do percentil, coitadinho, está um enfezadinho, isso precisa é de 50 mezinhas do tempo das trisavós, que elas é que sabiam, até porque antigamente o nível e acesso a informação sobre pediatria era bem mais evoluído que o de hoje…

Se a criança é gordinha, benzadeus! Mas olhe que está muito gorda, vai ter diabetes, anda a dar-lhe comida a mais de certeza…veja lá isso, veja!

E cá se vai vivendo com a parvoíce alheia deste mundo de mulheres frustradas com a sua identidade e que acham que têm uma voz que deve ser ouvida em tudo o que é matéria infantil alheia aos seus próprios filhos. Porque os meus são perfeitos, tenho é de ajudar os outros, que sofrem tantas privações porque têm mãezinhas claramente incompetentes.

Ontem, lia este post da Cocó na fralda, sobre a recuperação rápida da Ana Rita Clara e a sua presença no ginásio duas semanas depois de ter sido mãe. Muito bem escrito, onde partilhava a “inveja” que sentia em ver uma mãe tão fit, tão dedicada em cuidar de si, e tão bem disposta mesmo duas semanas depois de ter tido um filho.

O que depois li ao nível dos comentários na sua página de facebook, vindo de outras mães, é absolutamente entristecedor e destrutivo. Coisas como:

“Inveja dessa pessoa?”

“No ginásio? Então deixou assim o filho?”

“Essas pessoas que só se preocupam com a imagem são assim! Não tenha inveja delas!”

“Então e se está a amamentar em regime de livre demanda, se ele quiser mamar ela não está lá!”

“Duas semanas depois do parto? Então mas só se pode fazer exercício físico dois meses depois, isso é uma grande irresponsabilidade!” (Quando ela explicava de forma muito clara na fotografia que estava apenas a exercitar os membros superiores).

Foram estes e muitos mais. E não fico ofendida por serem comentários sobre a Ana Rita Clara. Pessoalmente não sou uma fã daquelas que seguem tudo o que ela faz, mas tenho por norma admirar todas as pessoas com grandes capacidades de comunicação e menos celulite que eu. E bastava simplesmente que fosse uma mulher e mãe para ficar preocupada com tantos comentários infelizes e destrutivos.

Não sei o que é ser uma figura pública, mas sei como as hormonas assumem o controlo dos nossos pensamentos duas semanas após o parto. Imaginar que estou a viver uma experiência nova, que tem tanto de maravilhosa como assustadora, estar a tentar voltar à normalidade, a dar o meu melhor, e depois ler estes comentários…é qualquer coisa de desumano.

Por isso, atentem nesta classe de mães bullys e se ouvirem alguma, atirem-lhe com farinha e ovos podres (porque a vingança é um prato que se serve frio, e muitas destas bully’s só podem ter sido iguais entre o sétimo e o décimo ano do secundario).

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2 thoughts on “Mommy bullying

  1. Não sou mamã (na verdade nem tenciono ser, pelo menos não tão cedo) mas sempre estive muito atenta a este fenómeno! As pessoas adoram dar opiniões como se fossem verdades, gostam de intimidar as novas mães e roubar-lhes a confiança no seu trabalho. E aproveito para acrescentar que muitas vezes estas pessoas estão bem perto – como as sogras, que tudo sabem, e tão bem, só porque já andam há umas décadas nisto.
    Seria bom dar um passo atrás e perceber que cada um sabe o que é melhor para os seus. Um simples conselho é tão mais proveitoso do que uma crítica disfarçada.

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