Time out

Seria perfeito se, em momentos em que precisamos “desaparecer deste mundo” por uns tempos (curtos, não estou a querer dizer nada de terminal, relaxem!), pudéssemos ter um escape, um lugar seguro para fugir, o “coito” do jogo da apanhada (porque é que lhe chamávamos Coito, gostava eu de saber!).

Mas seria uma escapadela que só nós daríamos por ela. Ou seja: o tempo parava, as pessoas “congelavam” e nem davam pela nossa ausência. E poderíamos inclusivamente viajar pelo tempo e congelar momentos passados.

Há umas semanas atrás senti tanto essa necessidade. Com uma “gripalhada” daquelas: febre, dor de garganta, the works! E ao mesmo tempo, dois miúdos em casa. O mais velho, também doente, a precisar de mimo. O mais novo que pouco mais conhece que o calor diário do colo da mãe.

Parava o tempo. Fugia para um hotel bem confortável, com uma cama gigante, uma palete de Kleenex’s, um kg de canja de galinha, muitos filmes e muito gelado como Room Service. Dois dias “de molho”, impecável de novo, “descongelo” a malta toda que não se apercebeu de nada e volto à minha vidinha. Assim ninguém sofreu com a minha ausência.

Outras situações em que parava o tempo da mesma forma:

Na semana 2 do pós parto. Tudo congelado, escondia-me entre a minha banheira com água quente e o meu sofá. Sempre com música. Apanhava uns banhos de sol e respirava fundo. Perceberia que estava tudo bem, que tudo melhora dia após dia e carregava no botão “unfreeze” (nesta fase já imagino que isto tinha de ser gerido com um comando remoto).

No primeiro dia de aulas (em qualquer ano do secundário). Porque já fizeste um filme gigante durante o verão sobre como vai ser este ano. Nesta opção, tens o comando que te permite congelar e voltar para trás, refazer os diálogos para que corram bem desta vez e não acabes com corretor no cabelo e na tua sweat shirt preferida da Fruit of the Loom (anos 90, ok?).

Das memórias já quase perdidas. Sempre adorei a minha professora primária, mas já não me lembro de facto porquê. Não creio que fosse apenas por ser boa pessoa, mas tenho a certeza que marcou em mim muito do que sou hoje a nível profissional, a minha forma de fazer as coisas. Só que já não me lembro em detalhe porquê nem como. E como ela infelizmente já faleceu, é impossível perguntar-lhe. Assim, viajava no tempo e parava em 1987. Via o trabalho que fiz sobre a poluição do rio Tejo e que ela tanto valorizou, assistia a quando me pediu para contar para trás a partir do 100 e eu disse tudo sem pestanejar. Recordava  aquele brilho nos olhos de orgulho (soubesse ela que agora sou assim “fraquinha na matemática”, mas continuo a gostar de fazer trabalhos que sejam impactantes: seja sobre a poluição do rio Tejo ou outra coisa qualquer.)

No dia em que nasci. Poder recordar esse dia. Poder olhar para os meus pais e vê-los como me vejo agora. Olhar para mim mesma e dizer: vai correr tudo bem, miúda. Foge do Dark Side e vais ver que a Força vai estar contigo. E deixa a tua mãe dormir porque o karma funciona sempre (já dizia um grande amigo).

******

It would be perfect if, in moments when we need to “disappear from this world” for a while (hey, I do not mean a terminal solution, relax!), We could have an escape, a safe place to escape, but it would be a getaway that only we would be aware of. In other words, time stops, people “freeze” and do not even notice our absence. And we travel through time and can also freeze moments from the past.

A few weeks ago I felt this need so much. With a super flu: fever, sore throat, the works! And at the same time, two kids at home. The eldest, also sick, with need of pampering. The youngest who knows nothing but mommy’s warmth and hugs.

Time stops. I could run away to a very comfortable hotel with a giant bed, a Kleenex’s pallet, 1 kg of chicken soup, lots of movies, and a lot of ice-cream as room service. Two day treatment and I would be impeccable again. I can now “defrost” the whole family who did not realize anything and come back to my life. So no one would suffer through my absence and I would have healed.

Other situations in which I wish I could stop time in the same way:

At week 2 of postpartum. Everything frozen, I hide between my bathtub and my sofa. Always with music. I would get some sunbathing and deep breaths. I would quickly realize that everything was going to be fine, that everything improves day by day and I can get back with a simple pressing of the “unfreeze” button (at this stage I already imagined that this had to be managed with a remote control).

On the first day of high school. Because you’ve already made a giant movie over the summer about how it’s going to be this year. In this option, you have the remote that allows you to freeze and go back, redo the dialogues so that they run smoothly this time and do not end up with correcting ink in your hair and your favorite Fruit of the Loom sweat shirt.

Of memories already almost lost. I have always loved my first grade school teacher, but I no longer remember why. I do not think it was just because she was a good person, but I’m sure it marked in me a lot of what I am today at a professional level, the way I do things. The thing is I cannot remember in detail why or how. And as she has unfortunately passed away, it is impossible to ask her. So I  would travel in time and stop in 1987. I see the work I did on the pollution of the river Tagus and which she valued so much, watch when she asked me to count back from 100 and I said everything without blinking. I remember that shine in her eyes with such pride (I hope she knows that even though I am not a rock star at math, i still like to put the best of me in everything I do.

The day I was born. To be able to remember that day. To be able to look at my parents and see them as I see me now. Look at myself and say: it’s going to be okay, girl. Run away from the Dark Side and you will see that the Force will be with you. And let your mother sleep because karma always works (a great friend of mine once said).

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