150 dias 

É com o meu bebé no colo que escrevo este post. Sim, ele não dorme sozinho, só dorme ao colo. Tentei todas as técnicas de todos os manuais, de todos os especialistas. Tive a mesma experiência com o meu primeiro filho e estava determinada a mudar este comportamento. Não ia passar 5 meses com um bebé ao colo. Mas passei. E foi assim porque tinha de ser. Doeu nas costas e no cansaço, mas também nos ligou como quando tínhamos um cordão umbilical.

5 meses depois (ou melhor, 150 dias depois, de acordo com a segurança social) tenho um sentimento de tristeza natural porque já não vou estar lá sempre que ele precisar, de alegria porque está a crescer e a tornar-se mais independente e de revolta porque vivo num país que não tem uma estratégia clara acerca da maternidade e da forma como queremos que os portugueses assegurem a sustentabilidade deste país.

Não luto por 6 meses ou um ano de licença. Toda a gente que me conhece sabe que estou mortinha por voltar a trabalhar porque gosto daquilo que faço e só me sinto realizada quando toco em todas as dimensões da minha vida.

Mas e se existissem soluções flexíveis para dar apoio aos nossos filhos enquanto trabalhamos? Dias obrigatórios onde poderíamos trabalhar em casa (mãe e pai), creches próximas do local de trabalho, com horários acessíveis a quem trabalha por turnos. Não sei, são ideias para mim básicas e que não sei como não estão em cima da mesa ao nível de discussão no parlamento. Ah pois, existem coisas mais importantes certamente…

Não me cabe na cabeça como é que o salário mínimo nacional é de menos de 500€ e muitas creches pedem esse valor por mês para tomar conta (às vezes nem bem) de um bebé. O que fazem estes pais?

No meu caso vou descansada porque sei que está bem entregue com uma educadora super carinhosa, junto do irmão e com o apoio dos avós para que possa vir cedo para casa. Sim, porque esta é uma grande excepção, porque são muitos os pais que os deixam as 7:30 da manhã e que os vão buscar as 19:30 ou mais da noite. Que se sentem péssimos pais mas que para mim não são mais que grandes heróis. Porque dói muito e este país não quer saber.

Miguel e Francisco: este blog também é para vocês. Para que um dia que queiram tentar conhecer um pouco mais a vossa mãe, saibam que estes 5 meses foram marcantes para mim, me fizeram mais uma vez crescer, tenho dois novos cabelos brancos (que vão desaparecer misteriosamente no fim de semana) graças aos dois e que vos adoro daqui até ao infinito. 

Ao universo só tenho a dizer que é no mínimo hilariante que me fazes regressar amanhã, a um dia da Black Friday. Não me queres a fazer compras…Vivam as lojas online 😉

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It is with my baby on my lap that I write this post. Yes, he does not sleep alone, he only sleeps on my lap. I have tried all the techniques of all the manuals, of all the specialists. I had the same experience with my first child and was determined to change this behavior. I was not going to spend five months with a baby on my lap. But I did. And it was so because it had to be. It hurt on my back and in my tiredness, but it also made us connect just like when we had an umbilical cord.

5 months later (or rather, 180 days later, according to social security) I have a feeling of natural sadness because I will not be there anytime he needs me, of natural happiness because he is growing up and becoming more independent, and a feeling of disappointment because I live in a country that does not have a clear strategy on maternity and how we want the Portuguese to ensure the sustainability of this country.

I do not fight for 6 months or a year of leave. Everyone who knows me knows I’m dying to get back to work because I love what I do and only feel complete with all of these dimensions.

But what if there were flexible solutions to support our children while we worked? Mandatory days where we could work at home (mother and father), kindergartens close to the workplace, with schedules accessible to those who work in shifts. I do not know, these are basic ideas and I do not understand why they are not on the table in our parliament. Oh, there are more important things, certainly …

It does not fit in my head how the national minimum wage is less than 500 € and many day care centers ask for this amount per month to take care of (sometimes not well) a baby. What do these parents do?

In my case I am so blessed because I know that he is well with a super caring teacher, with his brother right next to him and with the support of their grandparents so that they can come home early. This is a great exception because there are many parents who leave their children at 7:30 in the morning and pick them up at 7:30 or more at night. They feel they are terrible parents but for me they are heroes. Because it hurts a lot and this country does not care.

Miguel and Francisco: This blog is also for you. So that one day that you want to try to get to know your mother a little more, know that these 5 months have been remarkable for me, made me grow, I have two new white hairs (that will disappear mysteriously this weekend) thanks to the two of you. And that I adore you from here to infinity.

To the universe, I just have to say that it’s at least hilarious that you make me come back tomorrow, one day close to Black Friday. You do not want me to shop … Long live  the online stores 😉

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