Mulheres

Ontem foi dia da Mulher. Existe muita discussão à volta do dia mas eu não poderia ser mais a favor. Enquanto existir desigualdade, discriminação, assédio, este dia tem de existir. E neste dia gosto de olhar para as mulheres à minha volta e ver a sua força.

Tenho a minha avó no hospital. 97 anos de histórias de vida, de força que não sei se algum dia vou herdar. Uma mulher que se esqueceu da “sua condição” e trabalhou no campo junto dos homens porque ganhava mais apesar do esforço físico maior, que se tornou empreendedora e alugou um forno para fazer pão e vendê-lo no mercado, que tomou conta de crianças em casa enquanto tinha as suas pequenas e não podia trabalhar fora. Uma mulher que sempre viu uma oportunidade para fazer mais apesar do esforço ser maior. Nunca aprendeu a escrever porque não pôde ir à escola porque era mais importante trabalhar, mas fazia contas de cabeça como ninguém e nunca se deixou enganar por ninguém. Viveu a adversidade de um país regido pela ditadura, usou as senhas de alimentos na segunda guerra. Saiu do interior com a família e veio para a cidade refazer a vida, sem medos. Ou talvez tivesse medo, mas eu nunca o vi nos seus olhos em momento algum. Dizem que está pronta para a próxima aventura, ainda quero ver se não vai contrariar todas as probabilidades, mas quero acreditar que a sua fibra e força ficam por aqui, no nosso sangue, e que eu consiga sentir essa coragem nos meus momentos mais adversos (que ultimamente parecem permanentes, mas ao mesmo tempo parecem migalhas quando penso na vida que viveu).

Penso também nas mulheres à minha volta no trabalho, nos exemplos de força, dedicação, capacidade sobre-humana de fazer tudo acima do que é esperado.

Penso em mim e na mulher que quero ser para os meus filhos, na mulher que quero ser para o meu marido, na mulher que eu quero ser.

E penso que há ainda um grande caminho para fazer no mundo, que este dia ainda vai existir por muitos anos pelas piores razões, que não consigo perceber porque no século XXI nem todas as mulheres podem escolher o que estudar, votar, com quem casar, quantos filhos ter, quantos não ter, ter sucesso profissional.

Obrigada avó.

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Yesterday was Women’s Day. There is a lot of discussion around this day but I could not be more in favor of it. While there is no equality, discrimination is around the corner, harassment at work, this day has to exist. And on this day I like to look at the women around me and see be inspired by their strength.

I have my grandmother in the hospital. 97 years of life stories, of such strength that I do not know if I will ever genetically inherit. A woman who forgot her “condition” and worked in the field with men because she earned more money, despite the bigger physical effort she had to intake, which became an entrepreneur and rented an woven to make bread and sell it on the market, which took care of children at home while she had her little ones and could not work outside. A woman who has always seen an opportunity to do more despite the effort being greater. She never learned how to write because she was not allowed to go to school because it was more important to work, but she did math like nobody else and was never fooled by anyone. She lived the adversity of a country governed by dictatorship, used the food stamps in the second war. She left the interior with her family and came to the city to rebuild her life without fear in her eyes. Or maybe she was afraid, but I never saw it in his eyes at any moment. They say that she is ready for the next and ultimate adventure, we will see if she manages to refuse that as she always have. But I want to believe that her strength will continue to live here, in our blood, and that I can feel this courage in my most adverse moments (which seem like crumbs when I think of the life she lived).

I also think of the women around me at work, the examples of strength, dedication, the superhuman ability to do everything above what is expected.

I think of myself and the woman I want to be for my children, the woman I want to be for my husband, the woman I want to be.

And I think there is still a great way to go in the world, that this day will still exist for many years for the worst reasons, that I can not understand why in the twenty-first century not all women can choose what to study, to vote, to marry, how many children they can have (or chose not to), and have professional success.

Thank you grandma.

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