Gelinho

A vontade de pintar as unhas começou aos 15 anos. Mas começou logo em bom, porque eu sonhei em pintar as unhas de preto e os meus pais não deixaram. Acho que tiveram medo que houvesse ali uma pontinha de gótica/ realizadora de rituais satânicos que pudesse desenvolver em mim.

Mas o preto não era por querer ser gótica, era mesmo já o meu gosto pelas tendências e as cores fortes estavam em alta em 96. Não consegui o preto mas concorri a um passatempo na Ragazza (a minha revista da adolescência) com a L’Oreal, onde tínhamos de enviar as notas do secundário e as melhores médias ganhavam produtos de beleza. Nunca um 16 me pareceu tão compensador. Tinha chegado uma caixa cheia de artigos de beleza para eu poder explorar. E nunca mais o mundo voltou a ser o mesmo.

E lá fui eu para a escola de sorriso nos lábios e unhas azuis escuras. Tranças e gorro na cabeça (não perguntem, era toda uma tendência colegial pré Britney Spears).

Os anos passaram e continuo a adorar pintar as unhas. Todas as semanas, uma cor diferente era o meu lema. Mas depois veio um filho. E depois veio outro. E já não conseguia pintar uma unha sem a estragar de seguida porque tinha de atirar bolas a um enquanto tinha o outro ao colo.

Então equacionei uma opção mais definitiva. Unhas de gel? Será que consigo?Com a fama de estragar as unhas, achei que gelinho seria melhor opção. Afinal, para uma técnica cujo nome termina em “inho” – o que de mal pode acontecer?

Primeira vez: impecável! Fui ao sítio certo, aplicação bem feita, duração de 3 semanas (bom, na verdade durou duas mas eu estiquei até às 3, mas também fiquei a perceber porque se começou a usar a francesa invertida).

Mas na hora de substituir a cor…Não dá para fazer em casa. E quem me conhece sabe que a ideia de ser certinha e conseguir marcar com antecedência uma hora para arranjar as unhas é só impossível…então liguei no dia anterior para saber se haviam vagas…pois que não, e as unhas já tinham quase um metro de cor de rosa e de unha que já tinha crescido…

Então decidi ir a outro sítio. O que pode acontecer de mal? Minhas amigas…tudo! Quando vi aquela broca e limas cheias de pó de outras unhas, achei que aquilo era só mau. Quando começou a retirar o verniz com a dita cuja, senti que não estava de facto a fazer nada de bom para as minhas unhas. E quando o alicate me comeu e bicou os dedos como se não houvesse amanhã todas as cutículas (mas que mal fizeram as cutículas para toda a gente as querer tirar!), só pensei: custava muito seres organizada e marcares com antecedência a porra da esteticista!!!

Na hora de escolher cor, ganhou o vermelho (afinal já tinha sangue a sair por todo o lado, sempre ficava no tom).

No final a rapariga ainda tentou fidelizar-me. Tirou uma foto as minhas unhas para colocar no seu facebook (quantos likes recebem dedos feridos e unhas desniveladas e mal pintadas num fundo de toalha de mãos cheia de verniz antigo?) e ainda fez a pergunta: então quer marcar para daqui a 3 semanas? Talvez não.

Vou continuar com gelinho? Creio que não…se não consigo definir as verdadeiras prioridades na minha vida, claramente tenho de voltar às opções domésticas ou criar a tendência da unha “como veio ao mundo”.

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